Tiago - Brasil - 1999
"Foi ao completar quatorze anos de idade que tudo aconteceu.
Eu estava voltando da aula e no caminho vi meus amigos do bairro jogando futebol. Fui em casa, troquei-me e voltei correndo para ver se me entrosava com os rapazes para participar da brincadeira. Foi exatamente nesse jogo de futebol que Cristo começou seu plano na minha vida."
Naquele dia, T1ago jogou bola e fez amizade com alguns garotos, inclusive com Miguel.
"Mais que depressa, Miguel começou a me falar de Deus de uma forma que despertou meu interesse. Sempre que tinha uma chance, ele falava de Jesus para mim."
A amizade e o interesse por Deus foram crescendo, e Tiago acabou aceitando o convite de Miguel para ir à igreja com ele.
"Minha surpresa foi enorme quando me vi diante de uma igreja diferente da minha. Entrei assustado, recebi muitos cumprimentos e ouvi a tal 'pregação'. Ao chegar em casa, contei tudo aos meus pais mas eles não gostaram. Meu pai fechou a cara, e minha mãe pediu que eu nunca me deixasse influenciar por esse povo."
Mesmo assim, Tiago voltou duas vezes à igreja do Miguel porque seu interesse por Jesus já era grande. Mas foi na terceira vez que algo inesperado aconteceu:
"No dia 8 de agosto de 1999, domingo à noite, ouvi novamente a pregação e fui ate o altar da igreja entregando minha vida a Jesus. Foi muito bom! Aquilo que eu tanto procurava, o caminho ate Deus, finalmente descobri em Jesus naquela noite."
Tiago teve sua vida transformada por completo e queria, agora, contar para todos sobre seu encontro com Cristo. Mas o que ele não esperava era a reação de sua família.
"Cheguei em casa alegre e fui logo contar a novidade para minha mãe. Disse-Ihe que agora eu conhecia a Jesus e que pertencia a ele.
Mas, para minha surpresa, minha mãe ficou nervosa e começou a chorar. Ela disse que aquilo era um ato de rebelião contra ela e contra meu pai e que eu tinha desonrado minha família.
Pelo que minha mãe sempre me dizia, nunca houve uma pessoa crista de verdade nas gerações da minha família. Então, por causa desse nosso 'histórico familiar', eu agora era a desgraca da família. Tentei explicar a minha mãe que não estava traindo ninguém, mas que não serviria nem me dobraria mais diante de qualquer Deus que não Fosse Jesus. Ao ouvir isso, minha mãe pegou uma vassoura e começou a me bater dizendo que eu deveria respeitar nossas tradições familiares. Ela me bateu tanto que a vassoura quebrou nas minhas costas. Depois, chamou meu pai e disse que seu filho agora havia se tornado um 'cristalzinho'. Com muita raiva, meu pai me agarrou pelo pescoço e disse que ele era o meu deus porque era ele quem me dava todas as condições para viver. Ele também me chamou de ingrato e fez uma pergunta que eu nunca esperava: 'Quem você ama mais: a mim ou a esse Jesus que nem conhece direito?'
Em resposta, eu disse que amava muito minha família, mas que amava mais a Jesus. Já fora de si, meu pai me empurrou para perto do banheiro, me colocou contra a parede e me levantou pelo pescoço dizendo que eu era um erro, uma tristeza. Quando me abaixou, empurrou para o banheiro, me pegou pela cabeça e a enfiou dentro da privada. Meu pai saiu xingando e me deixou ali no chão chorando. A partir dai começou uma guerra em minha vida. “Uma luta que durou quatro longos anos.”
A vida de Tiago havia tomado um novo rumo, e ele agora era perseguido dentro da própria casa. Ele mesmo conta à guerra que enfrentou:
"Tentei continuar indo a igreja com o consentimento dos meus pais, mas eles me proibiram não só de ir à igreja, como também de ir à casa de qualquer cristão. Ninguém da igreja podia ir a minha casa, e com o Miguel eu não podia nem conversar na rua. Também me proibiram de orar e de ler a Bíblia. Minha mãe pegou todas as bíblias que havia La em casa e as escondeu inclusive o Novo Testamento que eu havia ganhado na minha conversão. Também não podia ouvir musicas cristas.
O nome de Jesus não podia ser pronunciado dentro da minha casa em hipótese alguma. Tudo o que era relacionado a Cristo eu não podia nem pensar em me envolver. Então, comprei uma Bíblia Bem pequenininha e a escondia no meio dos meus brinquedos. Como era proibido ler a Bíblia, passei a usar a hora do banho para ler, e muitas vezes a li debaixo do chuveiro porque meu pai começava a bater a porta mandando abrir para ver o que eu estava fazendo.
Chorei muito na noite em que minha Bíblia se molhou completamente quando tomei um susto com a presença do meu pai no banheiro e a deixei cair debaixo do chuveiro para que ele não percebesse que eu a estava lendo. O banheiro virou meu lugar de culto a Deus. Era o único local da casa onde eu conseguia servir a Deus de alguma maneira. Para ir às igrejas (comecei a ir a mais de uma igreja porque meu pai me seguia de carro), passei a usar roupas rasgadas para que minha mãe não desconfiasse, quando eu saia, para onde eu estava indo.
Meus amigos me ajudavam bastante. Eu ia com roupas rasgadas para a casa deles e de la fomos para a igreja. Muitas vezes meu pai me seguiu de carro, e, para não ser pego, eu corria para casa para tentar chegar primeiro do que ele. Porque encontraram algum material cristão comigo, desconfiaram que eu possuía bíblia, imaginaram que eu estava me encontrando com outros cristãos ou indo à igreja, meus pais, por duas vezes, me disseram que eu já não era mais filho deles, que eu era a desgraca da família e que deveria ir embora. Fui posta para fora de casa duas vezes, mas Deus sempre fez com que eu nunca saísse de vez, pois alguma coisa sempre acontecia e eu acabava voltando. Ate alguns tios e primos zombaram de mim por eu ser cristão. “Foi tanto sofrimento que não consigo descrever, pois a perseguição que vem de dentro de casa dói mais que qualquer outra.”
T1ago perseverou firme durante quatro anos c viu sua recompensa chegar no início de 2003:
"Mas no dia em que completei dezoito anos de idade recebi o melhor presente do mundo, meus pais me permitiram ser um cristão! Eu agora podia ler a bíblia na minha cama, ir a igreja, jejuar, ouvir louvores, dar gloria a Deus, levar meus amigos a minha casa, ler livros cristãos, ouvir radio, ver programas evangélicos, etc.
Poucos meses depois, minha mãe foi ao meu batismo, e logo no mês seguinte, num culto evangelístico, tive o privilegio de leva-Ia ate o altar da igreja para que ela entregasse sua vida nas mãos de Cristo. Um ano depois, meu pai também aceitou a Jesus. Gloria a Deus por tudo que Ele fez!
Mas o que impressionou Tiago foi ouvir a própria mãe dizer que, apesar de ser sua mãe, seu filho e que era seu "pai na Fe". O fator decisivo na conversão dos seus pais foi à forma perseverante e amorosa com a qual Tiago se comportara durante aqueles anos de perseguição dentro do lar. Se ele não tivesse suportado tudo por amor a Jesus, certamente seus pais não teriam aceitado o Cristo apresentado e vivido par seu filho.
Jesus Freaks são "pais na Fe'. A esterilidade espiritual de muitos só prova que ainda não são loucos par Jesus. Só quem vive radicalmente para Deus e que gera outros Jesus Freaks.




